domingo, 13 de dezembro de 2009

Lisboa, 13-12-1967

Meus Pais:

Espero que ao receberem esta minha carta se encontrem de óptima saude, que eu bem.
Não houve problema em chegar a Lisboa, vim na camioneta e custou 50.00 escudos, chegamos às 6 horas da manhã, o que apanhei foi um frio dos diabos, pois a camioneta não tinha aquecimento.
Viemos para cá, para não fazer nada, não se compreende, estarmos aqui até ao dia 23, a secar, nos outros quarteis foram todos de licença até ao dia 2.
Por hoje é tudo, beijos para os meninos e saudades para todos do
Mário

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Lisboa. 20-11-1967

Meus Pais:

Recebi a carta que mandaram vêm com um vale de 60.00 escudos, muito obrigado.
Cá me encontro mais ou menos bem, o tempo vai passando, na sexta-feira distribuiram lençois novos, a cama agora já esta boa, infelizmente hoje começamos a trabalhar, já passaram os dias de dormir até ao meio dia.
No domingo levantei-me às 8 horas fui almoçar depois foi dormir até à hora do almoço, foram umas semanas passadas em beleza, sem formaturas, neste quartel não há clarim, até às 9 horas podiamos almoçar, depois era só dormir e à noite até à uma hora podiamos andar a passear.
Na quarta feira fui ver o Benfica com os franceses podiamos entrar dois com um bilhete de 20.00 escudos, fui ver o Setubal com os alemães de graça, tenho ido ver os jogos do Nacional de hóquei em Patins, o Académico não tem hipóteses com o Benfica, contra o Sporting o Benfica deu um espectáculo de como se joga hóquei maravilhoso.
Quanto a ir a casa acho que só vou quando tiver licença, no dia 9 de Dezembro acabo o I.A.O. e temos os dias de licença da mobilização, para ir ao fim de semana, só podemos sair ao sabado ao meio dia, não vale a pena, custa 110.00 escudos, se for á boleia fica para cá por 60.00 escudos, não vale a pena o pai estar a gastar tanto dinheiro, custa um bocado ficar cá pois ver a maior parte dos colegas ir para casa choca, pois começamos também a pensar na nossa casa, mas visto-me à civil vou até ao café com um colega vamos ao cinema, à cá uns cinemas que custam 4.00 escudos e o tempo passa, no próximo fim de semana à cá o hóquei e eu vou passar mais um fim de semana entretido.
Não sei quanto custou o vale, mas talvez fique mais barato mandar uma carta registada, ou mandar por vale postal, entrega-se o dinheiro e os correios passam logo o vale que pode vir dentro da carta.
Quanto ao meu Bilhete de Identidade, tenho a impressão que o Académico mandou para a F.P.P. quando da minha transferência.
Por hoje é tudo beijos para os meninos, saudades para todos do
Mário

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Lisboa 12-11-1967

Meus pais:

Saude e felicidade, são os meus desejos.
Devia ter ido aí a casa, um rapaz que anda aqui na tropa buscar a minha roupa civil, espero que a mãe lhe tenha entregue tudo o que pedi, especialmente a toalha que me faz muita falta.
No dia vinte, começamos a tirar o I.A.O. que é a Instrução de Adaptação Operacional, um treino de guerra, vamos uma semana para o campo etc., enfim mais uma trapalhada para dar cabo do fisico.
Isto aqui é mau, não nos deram lençois nem fronhas para o travesseiro, não temos caixas nem armários para guardar as coisas, temos de confiar na honestidade de cada um.
Se quiser mandar alguma coisa mande no nome de "EDUARDO DA PIEDADE GOMES CORREIA" sold. nº 103460/67, este nome é de um colega meu pois eu não tenho o Bilhete Identidade, ficou na C.I.C.A. e não mo entregaram.
Como estão os meninos ? Beijos para o Henrique, para a Luisa e para o Zé Manuel.
Eu cá vou andando o melhor possivel, já estou farto da tropa até á ponta dos cabelos, nós até ao dia vinte é só comer e dormir, se quiser ir ao café vai-se ás 7,30 se não fica-se na cama, vai-se ao café e volta-se para a cama, à meia-hora almoçamos, de tarde vamos passear, ou dormir, ou dorme-se, à noite pode-se sair até à 1,30, vida de ministros

Saudades do
Mário

sábado, 7 de novembro de 2009

Lisboa - 7-11-1967

Meus Pais:



Espero que ao receberem esta minha carta se encontrem de otima saude que eu bem.
Depois de uma viagem fatigante cá me encontro em Lisboa, cheguei às 7.30 da manhã, o quartel é uma miséria, consegue ser muito pior do que a C.I.C.A., meterem-nos numa caserna que se está a desfazer, os vidros das janelas estão partidos, os colchões das camas todos desfeitos, parece que passou uma tempestade pela caserna, neste momento são 3 horas da tarde, estou na caserna a escrever, anda aqui um tenente a contar as camas, para meterem aqui duas companhias, isto é pior que uma cavalariça, e ainda vão meter aqui mais gente.
O almoço foi razoável, sopa de couve branca, sem soda, e batatas cosidas com cavalas em atum, foi o dia que comi melhor na tropa.
A noticia mais desagradável foi saber que estamos todos mobilizados, chegaram aqui dois cabos da C.I.C.A. com 13 meses de tropa que vão conosco, embarcamos em principio de Janeiro para o Ultramar, a nossa companhia é a companhia de transportes nº 2346 para Angola, a 47 para Moçambique, a 48 para a Guiné, viemos para este quartel tirar o I.R.O. que começa no poximo dia 20.
Parece que só nos dão as divisas quando embarcarmos, pois assim continuam até Janeiro a pagar-nos como soldados, isto é uma miséria até dá vontade de desertar.
Por hoje é tudo, beijos e saudades para todos do

Mário


sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Toque de Ordem



Aproxima-se a data da publicação da primeira carta recebida pelos meus pais, após o meu irmão ter sido mobilizado para a Guerra Ultramar.
Nesta carta o meu irmão escreve sobre como correu a viagem do Porto para o quartel em Lisboa e o que encontrou ao chegar a esse mesmo quartel.
Para uns pais que sabiam que o seu filho ía para Angola este deve ter sido um periodo muito díficil.

STOP - WAR`S

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Mensagem


O "Aqui Terras do Fim do Mundo" não está esquecido, aguarda a chegada da data da primeira carta recebida pelos meus pais para a poder publicar.

Até lá será actualizado com pequnos textos e fotos da Guerra de Ultramar.